Arquivo de dezembro, 2008

Não ao motor padronizado!

Publicado: 01/12/2008 em Fórmula 1
Qual será a próxima novidade proposta por eles?

Qual será a próxima novidade proposta por eles?

Estou parecendo político de esquerda em época de campanha eleitoral. Não àquilo, não a isso e não a isto! Mas a Fórmula 1 me obriga a agir dessa maneira. Agora, além da possibilidade de definirmos o campeão de 2009 na base da medalha de ouro, o motor padrão é outro pesadelo que anda rondando a categoria.

A desculpa é a mesma de sempre: corte de custos. Uma montadora – imagino que, de preferência, sem envolvimento na categoria – produzirá e desenvolverá o propulsor, que teria uma durabilidade incrível de 6 GPs e estaria limitado a 18.000 RPM.

Ora, bolas. Querem padronizar tudo na Fórmula 1? Pneus, eletrônica, motor, aerodinâmica, etc. Daqui a pouco, até aquele pirulito eletrônico da Ferrari vão querer padronizar. Terrível, essa nova mentalidade da Fórmula 1.

Por outro lado, com a entrada das montadoras, nos últimos 10 anos a categoria ficou extremamente cara e algo deve ser feito. Muitas equipes privadas foram à falência nos últimos anos e a Williams (a última das independentes) já não se agüenta mais e só faz figuração. Está muito caro botar os carrinhos na pista. E quem anda reclamando são as próprias montadoras, “responsáveis”  pelo encarecimento do espetáculo.

Então, já que elas criaram o problema, elas que o resolvam. Só fico preocupado, como jornalista e entusiasta do esporte, com a qualidade do produto final. E critico aquilo que julgo estar errado. Por exemplo, os treinos oficiais que definem os grids de largada das corridas. Não sabemos quem está mais leve no Q3 e, por conta disso, as posições de largada são sempre questionáveis. Será que o sujeito está mais leve, mais pesado? Será que acertou o carro pra chuva prevista no domingo ou usou acerto misto?

Tá muito confuso entender a Fórmula 1. Cáuculos atuariais e estatísticos, misturados com conhecimentos em física quântica e química laboratorial (existe isso?) seriam as exigências básicas para quem quisesse começar a acompanhar a categoria. E para nós, marmanjos, com anos nessa estrada, é preciso atualizar-se sempre. Afinal de contas, alguém aí sabe quanto um motor Renault consome de combustível, numa pista a nível do mar, em uma volta rápida, com temperatura ambiente de 30ºC e na pista a 45ºC? Não? Pois é!

Atualmente, para entender o desempenho e a diferença mínina entre os times de ponta, o telespectador tem que entender de tudo isso e mais um pouco! Saudades do tempo em que a McLaren botava 4s na Minardi e todos sabíamos os motivos. Atualmente, se o time de Ron Dennis anda “somente” 0,5s mais rápido que uma Toyota, começamos a procurar os “porquês”. Tanque mais cheio, não se adaptou aos pneus mais duros, etc.

Mas tudo tem uma explicação. Como tudo na Fórmula 1 atualmente é padronizado, a diferença dos tempos entre as equipes está cada vez menor. Atualmente, é comum ver uma Force India tomar 2s de uma Ferrari ou McLaren e acharmos um absurdo. Mas se olharmos para trás – umas duas décadas mais ou menos – veremos grids em que a diferença do pole para os últimos colocados beiravam 7s ou 8s.

A Fórmula 1 está cada vez mais padronizada e feia

A Fórmula 1 está cada vez mais padronizada e feia

Com a introdução do motor padrão, a tendência é que a Fórmula 1 fique ainda mais nivelada. É menos um fator de desequilíbrio. Acho isso desisnteressante para as montadoras. Imaginem uma Ferrari correndo com um motor Porsche? Ridículo. E acho que as próprias equipes não vão aderir a isso. Vai contra a política dessas grandes empresas, que atualmente usam a categoria como um laboratorio para seus carros de rua e como uma bela ferramenta de marketing. O que a BMW ganharia correndo com um motor Mercedes, por exemplo? Nada. Pelo contrário. Usaria seus carros para fazer propaganda de uma concorrente.

Além do mais, o barato da Fórmula 1 também é a disputa entre as equipes. Fica sempre a expectativa de qual time evoluirá mais na temporada seguinte, dos desenvolvimentos nos carros durante o campeonato, nos testes, etc. Com o motor padronizado, as possibilidades de evoluir o conjunto  ao longo do ano (e até mesmo para as próximas temporadas) se reduzem mais um pouco. Mas não é só o motor. A aerodinâmica já será reduzida em 2009, tornando os carros, além de horrorosos esteticamente, mais “iguais” no quesito desempenho. Aqueles penduricalhos que nos acostumamos a ver nos aerofólios e no corpo do carro não existirão mais.  Além disso, a eletrônica já foi padronizada neste ano. Os pneus já são monomarca desde 2007 e por aí vai…

Estão tentando equilibrar as forças da Fórmula 1 a todo o custo. Equilíbrio este que nunca houve. Tivemos a época da Lotus, depois da McLaren-Honda. Anos mais tarde, a Williams-Renault passou a ser o símbolo dos triunfos. A McLaren-Mercedes, com Mika Hakkinen, também marcou época no final da década de 90. Assim como a Ferrari e Michael Schumacher foram soberanos no início dos anos 2000 e a Renault, com Fernando Alonso, se destacou há pouco tempo atrás.

Assim é a Fórmula 1. Sempre foi assim. Essa é a essência da categoria. Ela cresceu, se popularizou e atualmente é o evento esportivo que gera mais audiência e maior receita em todo o planeta. O GP do Brasil de 2007, que definiu o título em favor de Kimi Raikkonen, foi o evento televisivo de maior audiência em todo o mundo no ano passado. O que mais querem os cabeças da categoria?

Esqueçam. Se essa historinha de motor padrão passar, a categoria terá dado mais um tiro no pé. É mais uma dessas idéias lunáticas do Sr. Bernie Ecclestone e do presidente da FIA, Max Mosley. Aliás, estes senhores já deram o que tinham que dar. Poderiam voltar pra casa e deixar de nos amolar com essas bizarrices. Que tal um campeonatinho de GP4 para eles? Mas, claro, sem nos esquecer de igualarmos a performances dos carros. Assim é covardia!